As
temperaturas frias continuam no nosso Portugal e não dão sinais de abrandar. “Isto
não é normal” dizem os amigos; “Estamos gelados, só em frente à lareira é que
se pára” dizem os familiares. Aqui em Gent, dizem os locais, as temperaturas
estão “demasiado amenas” para esta altura do ano, que descrevem com um sorriso
como um Outono tardio. Este facto fez-me levantar a questão: será que a
violenta vaga de emigração que se tem verificado no último trimestre de 2013,
saiu de Portugal com tamanha determinação, que arrastou consigo a massa de ar
quente para os pontos para onde se deslocou? É possivelmente uma questão energética
se pensarmos bem.
Não
consigo perceber onde erramos. Como exemplo: os Belgas trabalham 7.30 h por dia
em média o que dá em média 36.5 h; quanto às férias, têm direito a 32 dias
anuais. Precisam ainda assim de fazer um seguro de saúde (privado, sim a saúde
não é para todos!), e ao domingo não há um hipermercado aberto, sendo que
durante a semana às 19 h (senão às 18 h) estão todos fechados. Os feriados
contam 18 dias por ano.
A
conclusão da observação dos factos é lógica, a meu ver. Não, nós os Portugueses
não somos mandriões, trabalhamos em média 8 h por dia, o que dá 40 h por
semana; quando estamos doentes é provável que tenhamos de descontar das nossas
férias, temos um total de 22 dias de férias por semana. Com a redução dos feriados
passamos a contar com 10 feriados nacionais.Esta
comparação, breve é certo, levou-me a questionar “o que está mal?” E uma vez
mais refiro que o que está mal é quem dita as “regras”, isto é, a abominável
classe partidária. Na sua maioria nunca
trabalhou fora da política, e como é óbvio, não sabe trabalhar. Como não sabe
trabalhar, não sabe gerir. Como não sabe gerir, gere mal. E como gere mal, enterra
os Portugueses em sobrecarga e impostos. Aqui ficam os excertos da biografia profissional
de Passos Coelho e António José Seguro, os membros dos partidos com maior
relevância eleitoral. Sublinharei a amarelo os cargos políticos, e a verde os
cargos não políticos.Pedro
Passos Coelho, atual primeiro-ministro de Portugal (PSD):“ Licenciado
em Economia pela Universidade Lusíada de Lisboa, desde cedo
se envolveu no mundo da política. Integrou o Conselho Nacional da Juventude Social Democrata (JSD)
e foi representante no
Conselho Nacional do Partido Social Democrata. Foi, ainda, co-autor de Juventude:
Que Futuro em Portugal, publicado em 1981, pelo Instituto Sá Carneiro.
No final da década de 1980, integra a vice-presidência da JSD,
tendo posteriormente assumido a sua presidência por mais de seis anos. Em 1991
ingressa na Assembleia da
República na qualidade de deputado, tendo desempenhado funções de
vice-presidente e porta-voz
do Partido Social Democrata. Exerceu o cargo de vereador sem pelouro na Câmara Municipal da
Amadora entre 1997 e 2001, altura em que fundou o Movimento Pensar
Portugal.Iniciou também, em 2001, o desempenho de
vários cargos profissionais enquanto consultor e gestor, exercendo funções em várias empresas, a
maioria na área do meio ambiente. No ano de 2004, assume a direcção financeira
da Fomentinvest, SGPS, S.A., e o cargo de administrador executivo da mesma em 2007, função
esta que mantém a par com a presidência de várias empresas do grupo.Em 2005, foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Vila Real
pelo PSD, cargo que exerce até à atualidade. Em 2008, Pedro Passos
Coelho fundou a Plataforma de Reflexão Estratégica — Construir Ideias, uma
plataforma de análise e debate dos temas da agenda do país. Também em 2008,
assume-se como candidato à
presidência do PSD nas eleições directas de Maio, tendo sido eleito
membro do Conselho Nacional do PSD no mês seguinte...” É o primeiro-ministro
de Portugal, liderando um governo de coligação PSD/CDS-PP que tomou
posse a 21 de Junho de 2011”
José António Seguro, líder do principal partido da
oposição (PS):
“Estudou Organização e Gestão de Empresas, no Instituto
Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, mas acabou por se licenciar emRelações Internacionais, na Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões. Hoje é Professor Assistente
da mesma Universidade (encarregue das disciplinas de Teoria do Estado e
História das Ideias Políticas e Sociais).
Foi director do jornal A Verdade ou Mentira, e chegou a secretário-geral da Juventude Socialista, cargo que
ocupou entre 1990 e 1994. Deputado àAssembleia da República, de 1991 a 1995, veio a integrar os XIII e XIV Governos
Constitucionais, tendo ocupado o seu último cargo governativo como Ministro-Adjunto de António Guterres, entre 2001 e 2002. Posteriormente foi deputado ao Parlamento Europeu, entre 1999 e 2001 (tendo sido co-autor do Relatório
do Parlamento Europeu sobre o Tratado de
Nice e o futuro da União
Europeia), dirigiu
o Gabinete de Estudos Nacional do PS (2002-2004), e voltou à Assembleia da República, onde liderou a bancada parlamentar do PS (VIII Legislatura), presidiu à Comissão Parlamentar
de Educação e Ciência (X Legislatura) e é hoje presidente da Comissão de Assuntos Económicos,
Inovação e Energia (XI Legislatura).Foi eleito secretário-geral do Partido Socialista a 24 de Julho de 2011 com 23 943 votos
(67,98%), contra os 11 280 (32,02%) votos do concorrente, Francisco
Assis”Esclarecidos? Hmm...
vejamos, calculando a razão nº cargos não políticos vs. nº cargos políticos, tanto
Pedro Passos Coelho como António José Seguro, tiveram durante as suas vidas
cerca de 22 % como trabalhadores ditos comuns (isto porque duvidar dos seus
cargos não-políticos daria matéria para mais um artigo), e por conseguinte
dedicaram 78 % das suas posições
profissionais à actividade... política.
Para concluir, não
quero com esta notícia desprestigiar o conceito Política, muito menos desincentivar
aqueles que por ela pensem fazer algo. Pelo contrário, pretendo ressalvar a o seu
papel e o facto de terem sido estes políticos a denegrir este conceito,
descridibilizando-o, simplesmente porque eles próprios e os seus percursos não
são credíveis.
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