terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Será que estamos a levar connosco o calor de Portugal?

As temperaturas frias continuam no nosso Portugal e não dão sinais de abrandar. “Isto não é normal” dizem os amigos; “Estamos gelados, só em frente à lareira é que se pára” dizem os familiares. Aqui em Gent, dizem os locais, as temperaturas estão “demasiado amenas” para esta altura do ano, que descrevem com um sorriso como um Outono tardio. Este facto fez-me levantar a questão: será que a violenta vaga de emigração que se tem verificado no último trimestre de 2013, saiu de Portugal com tamanha determinação, que arrastou consigo a massa de ar quente para os pontos para onde se deslocou? É possivelmente uma questão energética se pensarmos bem.
Não consigo perceber onde erramos. Como exemplo: os Belgas trabalham 7.30 h por dia em média o que dá em média 36.5 h; quanto às férias, têm direito a 32 dias anuais. Precisam ainda assim de fazer um seguro de saúde (privado, sim a saúde não é para todos!), e ao domingo não há um hipermercado aberto, sendo que durante a semana às 19 h (senão às 18 h) estão todos fechados. Os feriados contam 18 dias por ano.
A conclusão da observação dos factos é lógica, a meu ver. Não, nós os Portugueses não somos mandriões, trabalhamos em média 8 h por dia, o que dá 40 h por semana; quando estamos doentes é provável que tenhamos de descontar das nossas férias, temos um total de 22 dias de férias por semana. Com a redução dos feriados passamos a contar com 10 feriados nacionais.Esta comparação, breve é certo, levou-me a questionar “o que está mal?” E uma vez mais refiro que o que está mal é quem dita as “regras”, isto é, a abominável classe partidária.  Na sua maioria nunca trabalhou fora da política, e como é óbvio, não sabe trabalhar. Como não sabe trabalhar, não sabe gerir. Como não sabe gerir, gere mal. E como gere mal, enterra os Portugueses em sobrecarga e impostos. Aqui ficam os excertos da biografia profissional de Passos Coelho e António José Seguro, os membros dos partidos com maior relevância eleitoral. Sublinharei a amarelo os cargos políticos, e a verde os cargos não políticos.Pedro Passos Coelho, atual primeiro-ministro de Portugal (PSD): Licenciado em Economia pela Universidade Lusíada de Lisboa, desde cedo se envolveu no mundo da política. Integrou o Conselho Nacional da Juventude Social Democrata (JSD) e foi representante no Conselho Nacional do Partido Social Democrata. Foi, ainda, co-autor de Juventude: Que Futuro em Portugal, publicado em 1981, pelo Instituto Sá Carneiro.
No final da década de 1980, integra a vice-presidência da JSD, tendo posteriormente assumido a sua presidência por mais de seis anos. Em 1991 ingressa na Assembleia da República na qualidade de deputado, tendo desempenhado funções de vice-presidente e porta-voz do Partido Social Democrata. Exerceu o cargo de vereador sem pelouro na Câmara Municipal da Amadora entre 1997 e 2001, altura em que fundou o Movimento Pensar Portugal.Iniciou também, em 2001, o desempenho de vários cargos profissionais enquanto consultor e gestor, exercendo funções em várias empresas, a maioria na área do meio ambiente. No ano de 2004, assume a direcção financeira da Fomentinvest, SGPS, S.A., e o cargo de administrador executivo da mesma em 2007, função esta que mantém a par com a presidência de várias empresas do grupo.Em 2005, foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Vila Real pelo PSD, cargo que exerce até à atualidade. Em 2008, Pedro Passos Coelho fundou a Plataforma de Reflexão Estratégica — Construir Ideias, uma plataforma de análise e debate dos temas da agenda do país. Também em 2008, assume-se como candidato à presidência do PSD nas eleições directas de Maio, tendo sido eleito membro do Conselho Nacional do PSD no mês seguinte...” É o primeiro-ministro de Portugal, liderando um governo de coligação PSD/CDS-PP que tomou posse a 21 de Junho de 2011
José António Seguro, líder do principal partido da oposição (PS):
Estudou Organização e Gestão de Empresas, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, mas acabou por se licenciar emRelações Internacionais, na Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões. Hoje é Professor Assistente da mesma Universidade (encarregue das disciplinas de Teoria do Estado e História das Ideias Políticas e Sociais).
Foi director do jornal A Verdade ou Mentira, e chegou a secretário-geral da Juventude Socialista, cargo que ocupou entre 1990 e 1994. Deputado àAssembleia da República, de 1991 a 1995, veio a integrar os XIII e XIV Governos Constitucionais, tendo ocupado o seu último cargo governativo como Ministro-Adjunto de António Guterres, entre 2001 e 2002. Posteriormente foi deputado ao Parlamento Europeu, entre 1999 e 2001 (tendo sido co-autor do Relatório do Parlamento Europeu sobre o Tratado de Nice e o futuro da União Europeia), dirigiu o Gabinete de Estudos Nacional do PS (2002-2004), e voltou à Assembleia da República, onde liderou a bancada parlamentar do PS (VIII Legislatura), presidiu à Comissão Parlamentar de Educação e Ciência (X Legislatura) e é hoje presidente da Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Energia (XI Legislatura).Foi eleito secretário-geral do Partido Socialista a 24 de Julho de 2011 com 23 943 votos (67,98%), contra os 11 280 (32,02%) votos do concorrente, Francisco AssisEsclarecidos? Hmm... vejamos, calculando a razão nº cargos não políticos vs. nº cargos políticos, tanto Pedro Passos Coelho como António José Seguro, tiveram durante as suas vidas cerca de 22 % como trabalhadores ditos comuns (isto porque duvidar dos seus cargos não-políticos daria matéria para mais um artigo), e por conseguinte dedicaram 78 %  das suas posições profissionais à actividade... política.
Para concluir, não quero com esta notícia desprestigiar o conceito Política, muito menos desincentivar aqueles que por ela pensem fazer algo. Pelo contrário, pretendo ressalvar a o seu papel e o facto de terem sido estes políticos a denegrir este conceito, descridibilizando-o, simplesmente porque eles próprios e os seus percursos não são credíveis.